Eu sempre tive problemas com
minha existência da forma que é. Ocupar o espaço sempre foi muito confuso na
minha vida, como se eu não tivesse o direito ou não fosse boa o suficiente para
aquilo e precisasse caber, de alguma forma, em todo esse emaranhado que
chamamos de vida.
Eu gosto muito da aparência do
meu rosto, me sinto bonita, me sinto atraente com ele. Gosto do meu cabelo
cacheado que mais parece uma juba e gosto de como me sinto selvagem quando meu cabelo
fica frizzado e sem nenhum cacho.O problema não é meu rosto. O problema é o
resto.
Eu gosto das minhas costas, mas
elas são muito largas.
Eu gosto da minha cintura, mas
ela parece uma ampulheta por causa das costas largas.
Não gosto dos meus seios que ficaram
com Deus depois de tantas dietas malucas a procura de entrar em um numero 36.
Eu definitivamente não gosto do
aspecto das minhas pernas com suas celulites, mas de uns tempos para cá, graças
ao crossfit, vejo até um charme nelas.
Eu acho minhas mãos muito grandes
Meus braços são muito grossos
Minha estrutura é muito grande
Minha altura exagerada
E meu pé...
Meu é 39/40, esparramado e com
dedos de aparência esquisita. Nem vou entrar no mérito dedo mindinho e sua
falta de unha.
Meus ex amores e amigos dizem que
eu sou linda, que sou uma gostosa. E as vezes eu me sinto, mesmo com todos
esses detalhes que me impedem de amar o conjunto da obra assim como eu amo o
rosto.
Durante minha vida quase toda eu
escondi tudo isso em roupas estranhas, roupas que não me faziam sentir confortável
e sempre reforçaram como eu não pertencia a mim mesma.
Mas esse ano alguma coisa vem
mudando..
Eu que nunca na vida teria
coragem de usar um biquíni, usei, usei mais vezes do que poderia pensar e por
um período não me importei com o que poderiam pensar, não pensei muito em mim e
em como minha forma poderia estar.
Tirei fotos e vi que não sou tão
ruim assim. O conjunto da obra não é ruim.
Eu que me enxergo de uma forma
monstruosa na minha própria cabeça
E as vezes quando vejo com pressa
no espelho esqueço de olhar com calma e com carinho.
Hoje eu fiz algo inédito, pela
primeira vez pintei a unha do pé. Não que eu nunca tivesse jogado um esmalte
ali, seria mentira dizer isso. Joguei sim, maioria base ou um nude para passar
batido.
Mas não hoje, hoje eu pintei as
unhas do pé de vermelho. E...ODIEI.
Mas vou seguir olhando e uma hora
eu vou ver beleza nesse pé que me sustenta.
Não posso deixar meu pé menor,
menos esparramado ou bonito nos meus parâmetros. Mas posso aceitar que ele é assim e parar de
privá-lo de uns esmaltes chamativos e de sandálias mais pomposas.
Enquanto escrevia me deu até
vontade de ver skin care de pé. Veja só.
É o que tenho, e já que tenho,
vou fazer o melhor que posso com ele.
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